Fé Ortodoxa - Una, Santa, Católica e Apostólica

[Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia Missionária do Brasil] Diocese dos estados de Goiás e Tocantins.

31/10/08

Papa exorta católicos e ortodoxos orientais

Cidade do Vaticano, 1º fev (RV) - Rezar pelo retorno à unidade entre a Igreja Católica e as antigas Igrejas do Oriente pode ter reflexos fundamentais também para o Oriente Médio. Foi o que disse Bento XVI ao receber em audiência, esta manhã, na Sala dos papas, no Vaticano, os representantes das Igrejas Ortodoxas Orientais, empenhados nestes dias, nos trabalhos da comissão mista que reúne expoentes da Igreja de Roma e das tradições ortodoxas orientais, que se dividiram dos católicos e dos ortodoxos de Bizâncio após o Concílio ecumênico de Calcedônia, de 451.

Criada em 2003 e composta por 14 expoentes, a comissão estuda questões relacionadas às estruturas de comunhão, e o exercício do ministério apostólico na Igreja, quer do ponto de vista católico, quer do ponto de vista dos coptas e dos sírio-ortodoxos, dos armênios apostólicos e das outras tradições das Igrejas orientais separadas de Roma e da Ortodoxia bizantina há 1.500 anos.

“A reunião de vocês concernente à constituição e à missão da Igreja é de grande importância para a nossa viagem comum rumo ao restabelecimento da plena comunhão” _ disse o papa, referindo-se ao encontro da comissão mista, em andamento desde terça-feira até o próximo sábado.

“Muita gente, ainda hoje, espera pelo anúncio da verdade do Evangelho” _ observou o pontífice, fazendo votos de que a exigência de anunciar a mensagem de Cristo reforce católicos e ortodoxos orientais na convicção de trabalhar e rezar pela unidade.

“Muitos dos senhores _ prosseguiu o papa _ vêm de países do Oriente Médio.” A “difícil situação” em que vivem os indivíduos e as comunidades cristãs naquela região “é uma causa de preocupação profunda para todos nós”. “Efetivamente _ reconheceu o Santo Padre _ é difícil, para as minorias cristãs, sobreviver num panorama geopolítico tão volúvel e, muitas vezes, elas são tentadas a emigrar.”

Portanto _ foi a exortação de Bento XVI _ “os cristãos de todas as tradições e as comunidades do Oriente Médio são chamados a ser corajosos e resolutos na força do Espírito de Cristo”. “Que a intercessão e o exemplo dos muitos mártires e santos que deram corajoso testemunho de Cristo nessas terras, ajude e reforce as comunidades cristãs em sua fé.” (RL)

 

criado por Diác. Celso Kallarrari    21:46:24 — Arquivado em: ecumenismo

Sínodo acolhe magistério de Patriarca Ortodoxo

Apresentada uma proposição ao Papa sobre a intervenção de Bartolomeu I

CIDADE DO VATICANO, terça-feira, 28 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- O Sínodo dos Bispos sobre a Palavra de Deus se converteu na primeira assembléia sinodal em acolher o magistério de um patriarca ortodoxo.

A proposição 37 (das que o Sínodo adotou por pelo menos dois terços dos votos – o resultado exato da votação é secreto) recolhe o ensinamento que o patriarca ecumênico de Constantinopla, Bartolomeu I, apresentou aos padres sinodais.

Em sua proposta ao Papa, os padres sinodais começam dando graças «a Deus pela presença e pelas intervenções dos delegados fraternos, representantes das demais Igrejas e comunidades eclesiais».

No total, foram 11 e representaram o patriarcado de Constantinopla, o da Rússia, o de Romênia, o da Sérvia, a Igreja Ortodoxa Grega, a Igreja Apostólica Armênia, a Comunhão Anglicana, a Federação Mundial Luterana, os Discípulos de Cristo e o Conselho Ecumênico das Igrejas.

Os padres sinodais fazem referência particular à oração das Vésperas presidida pelo Papa Bento XVI junto a Sua Santidade Bartolomeu I na Capela Sistina, em 18 de outubro.

«As palavras do patriarca ecumênico dirigidas aos padres sinodais permitiram experimentar uma profunda alegria espiritual e ter uma experiência viva de comunhão real e profunda, ainda que não seja perfeita; nelas experimentamos a beleza da Palavra de Deus, lida à luz da Sagrada Liturgia e dos Padres, uma leitura espiritual intensamente contextualizada em nosso tempo», diz a proposição aprovada pelo Sínodo.

«Deste modo, vimos que recorrendo ao coração da Sagrada Escritura encontramos realmente a Palavra nas palavras; a Palavra abre os olhos dos fiéis para responder aos desafios do mundo atual», continuam dizendo os padres sinodais no enunciado. No total, aprovaram 55 proposições.

«Também compartilhamos a experiência gozosa de ter padres comuns no Oriente e no Ocidente – acrescenta. Que este encontro se converta em estímulo para oferecer um ulterior testemunho de comunhão na escuta da Palavra de Deus e de súplica fervorosa ao único Senhor, para que se realize quanto antes a oração de Jesus: ‘Que todos sejam um’.»

O Papa se baseia, entre outras coisas, nas proposições aprovadas pelo Sínodo para a redação da exortação apostólica pós-sinodal. Em caso de que seja incluída esta proposição no documento, será a primeira vez que o magistério de um patriarca ortodoxo é acolhido explicitamente por este tipo de documentos magistrais da Igreja Católica.


Fonte: Zenit

criado por Diác. Celso Kallarrari    21:26:18 — Arquivado em: ecumenismo

P. Bartolomeu I faz a palavra «tocar» no Sínodo

Uma intervenção que não tem precedentes na história

CIDADE DO VATICANO, domingo, 19 de outubro de 2008 (ZENIT.org).- Com uma intervenção sem precedentes na história, o patriarca ecumênico de Constantinopla fez a Palavra de Deus tocar o Sínodo dos Bispos.

«Tocar e compartilhar a Palavra de Deus» foi, de fato, uma das três passagens da intervenção de Sua Santidade Bartolomeu I, na Capela Sixtina, na tarde deste sábado, durante uma celebração da Palavra, na qual se rezou em latim e grego.

O patriarca, que se encontrava à direita da assembléia sinodal, formada por um pouco mais de 400 cardeais, bispos, sacerdotes, religiosos e leigos, foi introduzido com palavras muito afetuosas de Bento XVI, que se encontrava à esquerda dos presentes.

A suas costas se encontrava o Juízo Final de Miquelângelo.

O primeiro patriarca ecumênico que é convidado a intervir no Sínodo dos Bispos da Igreja católica era consciente de que se tratava de um novo passo no caminho ecumênico.

«Vemos este gesto como uma manifestação da obra do Espírito Santo, que está levando nossas igrejas a uma relação mútua mais próxima e profunda, um passo importante para a restauração de nossa comunhão plena», reconheceu, falando em inglês.

Ao Sínodo, que está refletindo de 5 a 26 de outubro sobre «A Palavra de Deus na vida e na missão da Igreja», Bartolomeu I apresentou uma meditação na qual recolheu a riqueza contemplativa da tradição oriental do cristianismo.

Sentado em um trono como o do Papa, com suas vestes de cor negra, ofereceu três pontos de meditação, que começaram explicando como «escutar e pregar a Palavra através da Escritura».

«A Igreja cristã é, antes de tudo, uma Igreja da Escritura. Ainda que os métodos de interpretação puderam variar nos padres da Igreja, ou segundo escolas ou entre Oriente e Ocidente; contudo, a Escritura sempre é recebida como uma realidade viva, e não como um livro morto», explicou.

Em segundo lugar, explicou com «ver a Palavra de Deus», em particular através «da beleza dos ícones e da natureza».

«Toda pincelada de um iconógrafo – assim como toda palavra de uma definição teológica, de toda nota cantada na salmodia, e de toda pedra talhada de uma pequena capela ou de uma grandiosa catedral – articula a divina Palavra na criação, que louva a Deus em todo ser vivo».

Em terceiro lugar explicou como «tocar e compartilhar a Palavra de Deus», em particular, através da Comunhão dos Santos e dos sacramentos.

«A Palavra de Deus se encarna plenamente na criação, antes de tudo, no sacramento da Santa Eucaristia. Nele, a Palavra se faz carne e não só nos permite escutá-la mas inclusive tocá-la com nossas próprias mãos», explicou.

«Na santa Eucaristia a Palavra escutada é ao mesmo tempo vista e compartilhada», assegurou, com palavras que concluíam uma celebração animada pelo canto gregoriano.

Segundo o patriarca, «o desafio que temos é o de discernimento da Palavra de Deus perante o mal, a transfiguração do último detalhe ou fragmento deste mundo à luz da Ressurreição».

O Papa agradeceu depois em italiano as palavras do patriarca, e lhe assegurou que seriam motivo de trabalho e reflexão para o Sínodo.

Fonte: Zenit

criado por Diác. Celso Kallarrari    21:23:57 — Arquivado em: ecumenismo

30/10/08

Bento VXI ressalta intervenção do P. Bartolomeu I

Juntos a caminho
com grande realismo cristão

"Se temos pais comuns, como poderíamos não ser irmãos?". Com esta pergunta Bento XVI dirigiu-se directamente a Bartolomeu i, numa alocução improvisada depois da intervenção, primeira na história, que o Patriarca Ecuménico pronunciou na Capela Sistina diante dos Padres sinodais, na tarde de sábado 18 de Outubro. O Papa e o Patriarca abraçaram-se como irmãos e recitaram juntos as Vésperas, testemunhando a centralidade da Palavra de Deus na vida de todos os cristãos. No final o Papa e o Patriarca concederam respectivamente, em latim e em grego. Bento XVI apresentou a intervenção de Bartolomeu i (que publicamos nas páginas 12-13) sobre a Palavra de Deus, tema do Sínodo dos Bispos. No final o Papa agradeceu a reflexão com estas palavras.

Santidade!
De todo o coração digo "Obrigado" a Vossa Santidade pelas suas palavras. O aplauso dos Padres era mais que expressão de gentileza, era verdadeiramente expressão de uma profunda alegria espiritual e de uma experiência viva da nossa comunhão. Neste momento vivemos realmente o "Sínodo": estivemos juntos a caminho na terra da Palavra divina sob a guia de Vossa Santidade e apreciámos a beleza, com a grande alegria de sermos ouvintes da Palavra de Deus, de sermos confrontados com este dom da sua Palavra.
Quanto Vossa Santidade disse era profundamente alimentado pelo espírito dos Padres, da Sagrada Liturgia e precisamente por isso também fortemente inserido no nosso tempo, com um grande realismo cristão que nos mostra os desafios. Vimos que ir ao centro da Sagrada Escritura, encontrar realmente a Palavra nas palavras, penetrar a palavra de Deus abre também os olhos para o nosso mundo, para a realidade de hoje.
Esta era também uma experiência jubilosa uma experiência de unidade talvez não perfeita, mas verdadeira e profunda. Pensei: os vossos pais, que Vossa Santidade citou amplamente, são também os nossos pais, e os nossos são também os vossos: se temos Pais comuns, como poderíamos não ser irmãos? Obrigado, Santidade. As suas palavras acompanhar-nos-ão no trabalho da próxima semana, iluminar-nos-ão e estaremos também na próxima semana e além dela em caminho comum.
Obrigado, Santidade.

Fonte: (L’Osservatore Romano - 25 de Outubro de 2008)

criado por Diác. Celso Kallarrari    23:02:49 — Arquivado em: ecumenismo

28/10/08

Doçura Grega

[À minha esposa]

A sua docura grega
Faz-me viajar pra ilha de Creta…
E na candura de tua alma delicada
Serei o poeta de palavras aveludadas

Doce é o amor,
Senhor supremo do nosso ensaio,
Doce é sentir a suavidade de teu beijo,
Vem, de uma vez por toda, matar meu desejo
Ferir-me por dentro e por fora
Que o tempo desfaz-se nesta hora
Momentos inesquecíveis e inquietantes,

Vem, que eu te espero em desespero
Vem trazer-me as asas aladas da sedução e a filosofia helênica
Vem, nobre pérola, que eu acolho e protejo tua meiguice
E deleito tua alma e faço-te recordar tua meninice
No pólen das azaléias e nas minhas artes cênicas.

por Celso Kallarrari

criado por Diác. Celso Kallarrari    18:53:55 — Arquivado em: meus poemas

27/10/08

Um só Cristo, uma só Igreja I

Numa época como a nossa, marcada pelo sectarismo, somos levados a pensar que as palavras: “Creio na igreja una…católica” se referem a uma unicidade que diz respeito à confissão à qual um cristão pertence individualmente, seja ela a ortodoxa, ou a católica, ou a protestante. Disso passamos a afirmar que a catolicidade é considerada como necessariamente indicativa de uma unidade sectária. Um fiel ortodoxo afirma que a unicidade da igreja consiste simplesmente na sua ortodoxia e que a catolicidade compreende apenas os ortodoxos espalhados pelo mundo. Tal pretensão pode ser tanto a de um católico como a de um protestante. Assim, o conceito teológico da natureza da igreja se refere a cada cristão tomado individualmente como se a unidade fosse restringida pelos limites do dogma, o qual delimita também a catolicidade, reduzindo esse último aspecto a uma simples dimensão espacial da Igreja.
Em um conceito assim restrito que se submete fanaticamente a modos de pensamento e a perspectivas paroquiais, perde-se a realidade da natureza infinita da igreja que transcende a terra dos homens e seu pensamento. A Igreja é muito maior do que o homem! É maior do que os céus e a terra, porque o homem jamais encheu a Igreja e nunca será capaz de fazê-lo, nem mesmo se o mundo inteiro com todas as suas ideologias e estruturas fosse salvo: é Cristo o único que pode encher a Igreja. Nele habita toda a plenitude que pode plenificar tudo e todos: pode encher o homem e sua mente, o tempo e o espaço. O universo com os céus e a terra não podem absolutamente conter a Igreja, ao contrário, é a Igreja que contém os céus e a terra do homem. A Igreja é a nova criação, o novo céu, a nova terra, o homem novo. Na natureza desta nova criação são engolidos o velho céu e a velha terra, como se não existissem mais, mesmo se na realidade continuem a existir. Do mesmo modo, a morte é engolida pela vida, de modo a não ter mais poder, e o corruptível é absorvido pelo incorruptível: tudo se torna novo, vivo, imortal e puro. Aquilo que é novo, sob este aspecto, pertence ao eterno, inalterável Todo, enquanto que aquilo que é velho vai desaparecendo, átimo após átimo, por causa de sua natureza essencialmente mutável.
A Igreja, portanto, naquilo que se refere à sua natureza católica, é maior do que o homem, do que seus conceitos, do que suas estruturas, do que seus dogmas; maior do que o universo com seus céus imensos, do que a vasta terra com toda a sua caducidade; maior do que todos os acontecimentos do tempo, do início ao fim.
A igreja é o novo Todo: esta totalidade é derivada da natureza de Cristo - do qual tem origem - e inclui tudo aquilo que se refere ao homem e a Deus através da encarnação.
Então, a Igreja é o “segundo Todo”, em outras palavras católica, porque encerra em si, corpo de Cristo, tudo aquilo que pertence quer ao homem quer a Deus, recolhendo-o numa única entidade que é, ao mesmo tempo, visível e invisível, finita e infinita, inserida na esfera do tempo e do espaço, mas eterna e metafísica.
O termo católica deriva do grego katá (“em acordo com”) e hólos (“todo”): o significado primário é “totalidade”. No nosso caso, o termo indica aquilo que transcende a totalidade da existência finita. Trata-se de um “todo” inalterável, infinito, que não pode ser partido nem contado: é UNO, um “todo” fixo, análogo ao conceito de natureza de Cristo que é indivisível, sem confusão e sem mudança.
Tal é a Igreja, que segue a Cristo em todos os seus aspectos: como Cristo é único na sua pessoa, inclusive na sua natureza, simultaneamente todo na sua existência temporal e eterna, local e universal, assim também é a Igreja, una e católica. Disto deriva que todo aquele que está na igreja, é necessariamente uno e deve inevitavelmente ser uno, por causa da catolicidade da Igreja; em outras palavras, a Igreja tem a capacidade divina, obtida através de Cristo, de tornar toda pessoa individual una com Deus. Todo aquele que está em Cristo é de Deus e é um com Deus.
Os instrumentos de que a Igreja se serve para atuar a sua catolicidade são os sacramentos: através deles, de fato, todos os fiéis são introduzidos juntos na união com o corpo místico de Cristo, tornando-se assim um só corpo e um só espírito; eles têm acesso à natureza da igreja una e católica, pois o corpo de Cristo na Igreja constitui o segredo de sua catolicidade, a sua pessoa, o segredo da sua unicidade.
Se os fiéis não alcançam um estado de integridade de coração e de simplicidade de mente, originado da participação no único Corpo e, portanto, um estado de amor único, originado da pessoa de Cristo que reina sobre todas as coisas, então os sacramentos se reduzem a uma realidade puramente formal, que conduz à discórdia intelectual e dogmática. A formalidade sacramental ou dogmática é incompatível com a realidade do único Corpo que encerra todas as coisas e que dá vida a todos os que dele se alimentam e se tornam um nele. Na Igreja, o corpo de Cristo é fonte de vida e de unificação, é ao mesmo tempo vivo e doador de vida e é capaz de abolir todo tipo de barreira criada pelo tempo e pelo espaço, pela mente ou pelos instintos do homem, quer se trate de barreiras sociais (nem escravo, nem livre em Cristo), quer raciais e culturais (nem judeu, nem grego, nem bárbaro nem cita) quer sexuais (nem homem, nem mulher): cf. Gl 3,28). Na Igreja, o corpo místico de Cristo é aquela fonte de energia que a torna capaz de tudo reunir na própria natureza única e católica.
A Igreja é a nova criação: como Adão foi a cabeça da velha criação humana e aquele do qual surgiram todas as raças, os povos, as tribos e as categorias do gênero humano, assim Cristo tornou-se o segundo Adão e a cabeça da nova criação humana. Ele é o único do qual nasceu o homem novo como raça escolhida (por raça entende-se aqui a cristã-divina), como povo justificado (por povo se entende aqui aqueles que foram reunidos pela justificação que vem de Cristo e não do esforço pessoal) e como nação santa (aqui a única geradora é o santo batismo e não um ventre materno). O grande segredo que explica o poder de Cristo de unificar raças e povos e de abolir todas as barreiras entre todos os habitantes da terra (isto é, a catolicidade eclesial) consiste no seu ser Deus encarnado, Filho de Deus e Filho do homem ao mesmo tempo. A divindade de Cristo operou de modo a que sua humanidade fosse além de qualquer pertença de raça, de nacionalidade, de particularismos, ao ponto mesmo de superar o pecado e a morte. A filiação de Cristo com relação a Deus permitiu-lhe reunir a humanidade numa única filiação dada por Deus. Por isso, todo aquele que participa da carne de Cristo vê nele dissolver-se todo tipo de barreira, conjuntamente com o pecado e a morte. Ele é feito um com cada ser humano, é um homem novo, criado de modo novo e puro, à imagem de Cristo: um filho de Deus ao interno da única filiação de Cristo. Na Igreja, a natureza católica tornou-se dependente da carne divina de Cristo, que implica num poder de reunir o gênero humano e de unificá-lo na única filiação que vem de Deus.

criado por Diác. Celso Kallarrari    23:49:39 — Arquivado em: ecumenismo

Um só Cristo, uma só Igreja II

 
Há uma razão extremamente simples pela qual a Igreja ainda não atingiu a própria catolicidade, ou melhor, pela qual não vive daquela natureza católica que deveria constituir a essência de sua vida em Cristo, a demonstração de seu poder, o segredo de sua totalidade e de sua divina integridade: esta razão é que a Igreja ainda não conseguiu imaginar os conceitos divinos como puros e acima da lógica e da razão humana. Em outras palavras, seus conceitos ainda estão ligados a interpretações articuladas e filosóficas que impedem a visão serena da natureza católica de Cristo que tem um poder admirável de reconciliação total e de unificação dos diversos carismas que ultrapassa não somente as idéias, princípios e dogmas, mas também a própria capacidade intrínseca de qualquer outra natureza. Este poder único tem como fundamento o perdão, a purificação, a justificação e a santificação de cada ser humano através do sangue de Cristo, que está em condições de tirar os pecados de todo o mundo. É como se a Igreja não tivesse ainda descoberto a amplitude do poder do sangue de Cristo, a potencialidade ativa de sua carne e a profundidade de seu amor e de sua justiça.
É óbvio que todos os termos teológicos de per si não estão isentos de defeitos. Estes estão na interpretação e na compreensão dos termos: o humano aproximou-se do divino - isto é, da simples e transparente natureza de Deus - com a mente e o pensamento de Adão e não de Cristo. Por isso o desacordo é a conseqüência imediata e inevitável da natureza cismática de Adão. O cisma não está na natureza de Cristo, nem faz parte de sua natureza católica, mas veio como resultado do cisma essencialmente radicado na natureza do ser humano, uma natureza marcada pelo pecado e tornada plena de ódio, suspeita, mal entendido, vaidade e discórdia. A culpa do cisma na Igreja não está na natureza da Igreja, mas na natureza da capacidade do homem de conceber e compreender a natureza de Cristo e da Igreja.
Assim, podemos concluir que todo o cisma no conceber a natureza de Cristo e da igreja assinala que nós nos aproximamos do divino de maneira humana, com nossa mente decaída, com uma aproximação não divina. Todo cisma acontecido na igreja indica que o homem começou a enfrentar argumentos eclesiais com uma mentalidade etnocêntrica e racial (que dispersa) e não de modo eclesial e católico (que une).
Somente para o homem novo, Cristo permanecerá indivisível, incontestável e sem variações; somente para o homem que possui o pensamento de Cristo a igreja permanecerá una, única, católica para todos os povos, ortodoxa em toda a doutrina, e livre de qualquer divisão sectária; será assim somente para o homem novo que aceitou no profundo do coração a natureza de Cristo. Somente quando todos renunciam à própria vontade emerge a única vontade de Cristo; e somente quando cada um renega as próprias paixões e o ódio, e dobra o corpo e a mente à obra do Espírito Santo, somente então se manifestará a carne mística de Cristo que exercitará sua ação na Igreja reunindo os corações, os princípios e idéias. Somente quando todos entregarem espontaneamente a própria vida a Cristo é que Cristo se manifestará em sua igreja e o seu Espírito será derramado sobre ela. Quando todo fiel na Igreja, com arrependimento sincero, se entregar espiritualmente a Deus com fé e ardor, e quando toda a igreja tiver feito a mesma coisa, é que a Igreja será una pela graça de Deus, é que as igrejas serão um pelo poder do Espírito Santo: assim, Cristo será o único pastor que com o seu Espírito guia o único rebanho, tornando-se a fonte da catolicidade e da unicidade da Igreja.
Por acaso, a Igreja não é uma manifestação da encarnação de Cristo na terra e a sua continuidade no tempo? Nela os fiéis formam a nova natureza humana, glorificada na pessoa de Cristo e, através dele, adotada por Deus. Como poderia Cristo se manifestar na Igreja se não mediante a unicidade de pensamento, de vontade, de desejo, de senso comum entre os filhos do único Deus - filhos nascidos não do sangue, nem da vontade da
Como se pode demonstrar ao mundo que Deus é uno se não através da unidade de todos aqueles que nasceram dele?
E como o mundo poderia crer que Jesus Cristo é o Filho unigênito a não ser através da única filiação daqueles que crêem nele, que nasceram de Deus através de sua morte por eles e através de sua ressurreição junto com eles, e que agora estão unidos à sua carne, ao seu sangue e ao seu Espírito? Em outras palavras, eles se tornaram membros de um único Corpo.
o é conseqüência óbvia que a catolicidade da Igreja e a sua unicidade não são outra coisa senão a plenitude da teologia, a prova da existência e da ação de Cristo, a realização do novo nascimento do homem obtida do alto mediante a água e o Espírito Santo?
A falta de plenitude quanto à catolicidade e unidade da igreja, ainda existente nas igrejas espalhadas por toda a terra, pede de nós não o reconsiderar a nossa teologia - que é autêntica e fiel -, mas de reconsiderar a nós mesmos em relação à nossa correta teologia. Assim poderemos corrigir nossa visão de Deus, o único Pai de toda a humanidade, e a nossa visão de Cristo, o único Salvador e Redentor de todos os que invocam seu nome: nele, toda a humanidade é indiscriminadamente adotada por Deus. Essa nova ótica modificará o nosso amor pelo homem, por cada homem, enquanto o torna incontestavelmente nosso irmão, mesmo quando ele permanece hostil e nos prepare laços de morte.
Devemos ter claro que aquilo que nos impele a alcançar esta catolicidade e unidade eclesial não é simplesmente a paixão teológica ou o idealismo, nem mesmo o remorso; este desejo deve nascer da nossa fé, do nosso amor, da novidade do nosso nascimento do alto de que nós não podemos absolutamente prescindir; não podemos continuar nesta nova vida sem a catolicidade da Igreja e a sua unidade.
O homem novo não poderá jamais viver separado dos outros, como um fragmento quebrado, nem pode sentir ódio ou hostilidade pelos outros. O homem novo deve ser completo e uno, porque tem origem numa única natureza e num único Pai. A única natureza nova com a qual cada homem nasceu na igreja é aquilo que o torna uno no todo, mediante a graça e o Espírito. Aqui o amor faz valer a própria autoridade divina e católica. Na imagem de Cristo, Filho unigênito, são batizados todos aqueles que nasceram para o Pai graças à única paternidade.
Deste modo a Igreja é católica porque é o corpo do Filho (sacrificado pelo mundo inteiro por obra do amor) que recapitula em si todas as coisas. A Igreja é una porque é a indivisível morada do Pai.
Assim, podemos aspirar, com abundantes lágrimas e ferventes súplicas, com a consciência do homem novo, à catolicidade e à sua unidade em todo o mundo.

Fonte: ECCLESIA - Tradutor, Pe. José Artulino Besen.

criado por Diác. Celso Kallarrari    23:48:01 — Arquivado em: ecumenismo

Cruz de Cristo

 

Oh, Cruz pesada, rocha rude,
Nos ombros de Cristo.
Cruz acalentada; doída.
Madeiro que foste para o céu erguida.

Cruz que sobre a humanidade devia pender-se
Quis o Cristo merecer-te
E pêndulo em ti, padecer-se.

Oh, Cruz, que sugaste de Cristo
As gotas de sangue derramadas,
Quanto tempo permanecerá,
Para o céu, levantada?

Cruz, bendita sejas!
Símbolo de nossa devoção.
Em ti, bela moldura, por nós,
Deus fez-se oblação.

por Celso Kallarrari
[do livro: A porta remendada]

criado por Diác. Celso Kallarrari    16:31:12 — Arquivado em: meus poemas

Máscaras

Quantas máscaras a gente põe
Pra não ser reconhecido,
Pra ser respeitado.
Esquecemos de nós mesmos,
Pra sermos o que nos impõe.
Caem-se as máscaras, caem-se os cílios,
Quando é hora de dormir.
Caímos, pobres fantoches, desfalecidos,
Quando a morte, mascarada de doença,
Vem, sorrateiramente, bater às portas.
O aguilhão da morte, vaga-lume monstruoso,
Encarapuça-nos de piedosos,
Quando o destino incerto nos espreita.
Então, caem as velhas máscaras, fantasiadas,
Os personagens da avareza,
Da auto-suficiência,
Da soberba e do orgulho.

por Celso Kallarrari

[Do livro: As últimas horas]

criado por Diác. Celso Kallarrari    16:20:41 — Arquivado em: meus poemas

Na mesma cruz

Maria acreditou e avançou na fé
Como nenhuma outra mulher
Pôde contemplar
O seu mistério, mistério da fé
Ela é a predileta, assim diz o profeta
Quando uma espada a transpassou,
Ela aos poucos se aproximou,
Em união perfeita com seu amor
Feliz daquela que acreditou
E viveu os desígnios do seu Senhor
Cordeira de Deus
Tu és a escolhida,
Obediente ao teu Senhor,
Morreste em tua vida
Aos pés da cruz, da cruz do teu amor
Cordeira de Deus,
Seguiste o teu cordeiro,
O caminho do teu Jesus,
E foste com ele no madeiro
Pregada, pregada na mesma cruz.

Por Celso Kallarrari

[Do livro: As últimas palavras]

 

 

criado por Diác. Celso Kallarrari    16:14:36 — Arquivado em: meus poemas
Posts mais antigos »
Report abuse Close
Am I a spambot? yes definately
http://feortodoxa.blog.terra.com.br
 
 
 
Thank you Close

Sua denúncia foi enviada.

Em breve estaremos processando seu chamado para tomar as providências necessárias. Esperamos que continue aproveitando o serviço e siga participando do Terra Blog.