Vivemos num mundo onde algumas virtudes, a exemplo da honestidade, justiça e verdade, conseqüências da fé cristã, são prerrogativas distantes da realidade de vida de muita gente. Não obstante, parece que nossa geração desaprendeu ou tornou motivo de não-esperteza o cultivo de alguns valores essenciais no nosso convívio com o outro, isto é, em sociedade.
No evangelho de hoje, os mesmos quem averiguaram saber acerca do ministério de João Batista, perseguem Jesus a fim de encontrar nEle contradição em suas palavras e, conseqüentemente, poder condená-lo.
Algumas curas miraculosas precedem esse encontro. São os milagres realizados por Jesus quem chamam a atenção da religião oficial dos judeus à época, principalmente aquelas realizadas no dia de sábado. “Por essa razão, os judeus mais ainda queriam matá-lo, pois não somente estava violando o sábado, mas também estava dizendo que Deus era seu próprio Pai, igualando-se a Deus” (Jô 5, 18).
Esses judeus querem saber sobre a veracidade desses fatos e quem realmente é esse Jesus cuja fama, por causa dos milagres, já fora divulgada por toda a Judéia. Para eles, só Deus, de fato, poderia realizar milagres e Jesus não passava de um enganador ou charlatão. Para muitos judeus, até o presente momento, o Messias deveria vir em honra e glória e não se assemelhava ao Jesus dos evangelhos. Nessa perspectiva, muito ainda hoje esperam a sua primeira vinda, o que vai, naturalmente, ocorrer na segunda vinda de Cristo, na parusia.
O evangelho de hoje, mostra-nos Jesus preocupado em realizar a obra de Deus e, para aquele que coloca Deus acima de todas as pretensões humanas, não procurava agradar a homens, mas “àquele que me enviou” (Jô, 5, 30b). Em outras palavras, a preocupação de Jesus era, única e exclusivamente, com o Reino de Deus e não com as conveniências humanas: “Eu não aceito glória dos homens, mas conheço vocês. Sei que vocês não têm o amor de Deus” (Jo 5, 41).
Jesus dirige-se a eles (judeus) mostrando que as escrituras dão testemunho, elas são o testemunho visível a seu respeito, pois elas são, certamente, dignas de crédito. Na verdade, se os judeus afirmam tanto que acreditam nas escrituras por que não acreditam em Jesus e suas obras às quais a própria palavra de Deus já mencionavam a seu respeito? Isso não seriam uma contradição? Jesus toca-lhes as feridas. Crer nas escrituras ou desacreditá-las, ou simplesmente fazer delas interpretações convenientes ao seu bel prazer denota que todo julgamento não partirá necessariamente de Jesus, enquanto Filho de Deus, mas do próprio Moisés e outros profetas, como se acredita no judaísmo, autores inspirados por Deus.
Em outras palavras, se vocês são capazes de acreditar em Moisés e em suas palavras, elas dão testemunho de mim, então não acreditam em mim, não acreditam, verdadeiramente, nas escrituras: “não crêem no que ele escreveu, como crerão no que eu digo?”.
Jesus cita também João Batista, último dos profetas e o mais recente e conhecido por todos os judeus da época. João também deu testemunho de Jesus, mas, conforme Jesus, há um testemunho maior que o de João e do que o de Moisés: o testemunho do Pai. É, pois, Ele quem deu a missão a Jesus e essa missão (suas obras: milagres, etc) dão testemunho a seu respeito.
Há, finalmente, um condição para adquirir a vida, o reino, à glória eterna: crer em Jesus. Se somos como muitos judeus que apenas cremos que existiu um Jesus histórico, mas que, infelizmente, não é o nosso Salvador, já estamos condenados. Evidentemente, não é Jesus quem nos condena, somos nós mesmos quem nos condenamos porque desmerecemos e não acreditamos no Filho único de Deus que, vindo ao mundo, ilumina todos na luz do Pai eterno. Se quisermos continuarmos nas trevas, da falta de perdão, de amor e, por conseguinte, trocar a vida, verdadeira luz, que Jesus nos oferece no evangelho de hoje por uma vida envolvida na mentira, desonestidade e injustiças, já estamos condenados porque as próprias trevas nos escondem da luz que emana do coração misericordioso de Jesus. É preciso “ir até Jesus para ter a vida” (Cf. Jo 5, 40). Reflita sobre isso!
Autor: Celso Kallarrari