Fé Ortodoxa - Una, Santa, Católica e Apostólica

[Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia Missionária do Brasil] Diocese dos estados de Goiás e Tocantins.

25/2/09

INCÍCLICA PATRIARCAL QUARESMA 2009

 

 

Em nome do auto-existente, sempiterno, de necessária existência…
O Todo-poderoso,
Ignatius Zakka I Iwas, Patriarca da Santa Sé de Antioquia e de todo o Oriente,
Chefe supremo e universal da
IGREJA SIRIACA ORTODOXA
Em todo o mundo.

“O SACRAMENTO DO SACERDÓCIO”
Escreveu o apóstolo Paulo: E nenhum usurpa para si esta honra, senão o que é chamado por Deus, como Aarão. (Hebreus 5:4)


Oferecemos bênçãos apostólicas, orações benevolentes, e saudações no Senhor aos nossos irmãos, Sua Beatitude Mar Basílio Thomas I, Católico da Índia, suas eminências os metropolitas, bispos, aos nossos filhos espirituais os veneráveis sacerdotes, os devotos monges, às freiras e diáconos e a todo o nosso abençoado povo siríaco-ortodoxo. Que a Divina Providência os envolva através das orações da Virgem Maria, Mãe de Deus e São Pedro o chefe dos apóstolos e de todos os mártires e santos, amém.
Meus amados:
Oramos para que estejam todos bem de saúde e espírito, estendemos a todos nossa benção apostólica e orações benevolentes dizendo:
O santo sacramento do sacerdócio é uma dádiva divina que Deus confere às pessoas por Ele escolhidas dentre os fiéis. Ele chama e elas respondem ao seu chamamento dedicando suas vidas servindo-O e recebem a ordenação canônica legítima através do trabalho e poder do Espírito Santo. Assim alcançam tais pessoas tal autoridade que as distingue das demais voltadas para o trabalho e a administração da Igreja (Mt. 10:1-15, Lc. 10:1-12) de acordo com o nível de autoridade a elas outorgado, garantindo assim o ministério dos santos sacramentos àqueles que os merecem; ou sejam: o batismo, confirmação (crisma), perdão aos arrependidos, afastar os ofensores e os heréticos não arrependidos, prática das orações, guiando e pastoreando o rebanho de fiéis. (Jô 20:21, At. 20, 1Pdr 5)
Em verdade quando o Senhor Jesus estava cumprindo sua divina missão terrena, escolheu doze apóstolos e setenta discípulos para serem os despenseiros dos seus mistérios (1Cor. 4:1). Ele os convocou para a prestação do serviço religioso sacramentos eclesiásticos (Lc. 6:13). Com respeito a isto, lemos no Santo Evangelho de Lucas, “e quando foi dia, chamou os seus discípulos: e escolheu entre eles doze que chamou Apóstolos” (Lc. 6:13). “E chegando Jesus lhes falou, dizendo: Tem-se-me dado todo o poder no céu e na terra. Ide, pois, e ensinai todas as gentes: batizando-as em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo”(Mt. 28: 18-19). “E Lhes disse segunda vez: Paz seja convosco. Assim como o Pai me enviou a mim, eu vos envio a vós. Tendo dito estas palavras assoprou sobre eles: e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo: aos que vós perdoardes os pecados, ser-lhes-ão perdoados; e aos que vós os retiverdes, ser-lhes-ão retidos” (Jo. 20: 21-23). De acordo com os ensinamentos dos santos padres, o Senhor ordenou seus discípulos como bispos quando “depois os levou fora até Betania; e levantando suas mãos abençoou-os. E aconteceu que enquanto os abençoava se ausentou deles, e era elevado ao céu” (Lc. 24: 50-51). Com base na ordenação, o bispo recebe autoridade para ensinar, absolver, consagrar, pastorear e julgar. O Senhor estabeleceu o sacramento do sacerdócio logo depois de declarar o estabelecimento da Igreja segundo a confissão de Pedro que Ele é o “Filho do Deus Vivo” e disse a Pedro: “Bem-aventurado és Simão filho de João, porque não foi a carne e sangue quem to revelou, mas sim meu Pai que está nos céus… Também te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja, e, as portas do inferno não prevalecerão contra ela. E eu te darei as chaves do reino dos céus e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus; e, tudo que desatares sobre a terra, será também desatado nos céus” (Mt. 16: 17-19). Os apóstolos observaram este mandamento em todas as cidades. O livro dos Atos dos Apóstolos registra: “A tempo porem que eles ofereciam o sacrifício ao Senhor e jejuavam, disse-lhes o Espírito Santo: Separai-me a Saulo e a Barnabé para a obra a que eu os hei destinado. Depois que jejuaram e oraram, e lhes impuseram as mãos, os despediram” (At. 13:2-3). Também lemos sobre sua escolha de sacerdotes para levar adiante os trabalhos da Igreja como mencionado no livro dos Atos sobre Paulo e Barnabé: “E tendo eles pregado o Evangelho àquela cidade, e ensinado a muitos, voltaram para Listra e Iconia e Antioquia, confirmando os corações dos discípulos, e exortando-os a perseverar na Fé: e que por muitas tribulações nos é necessário entrar no reino de Deus. Por fim, tendo-lhes ordenado em cada igreja seus presbíteros e feito orações com jejuns, os deixaram encomendados ao Senhor, em quem tinham crido” (At. 14: 20-22). O apóstolo Paulo urge seu discípulo Timóteo a ordenar sacerdotes dizendo: “Não desprezes a graça que há em ti, que te foi dada por profecia pela imposição das mãos do Conselho de Presbíteros” (1Tim 4:14). O apóstolo Paulo escreveu também a Tito estabelecendo as qualidades que os sacerdotes devem ter dizendo: “Tu porem, fala o que convém à sã doutrina. Ensina aos anciões que sejam sóbrios, honestos, prudentes, sãos na fé, na caridade, na paciência (Tt. 2: 1-2). Paulo fala ainda do sacerdócio na sua epistola aos hebreus: “e nenhum usurpa para si esta honra, senão o que é chamado por Deus como Aarão” (Heb. 5:4) e ele também disse: “e assim a vários pôs Deus na Igreja, primeiramente os apóstolos, secundariamente os profetas, em terceiro lugar os doutores, depois os que tem a virtude de obrar milagres, depois os que tem a graça de curar doenças, os que tem o dom de assistir a seus irmãos, os que tem o dom de governar, os que tem o dom de falar diversas línguas, os que tem o dom de as interpretar” (1Cor. 12:28). Nos nossos dias os bispos são os sucessores dos apóstolos. Eles obtiveram sua autoridade através da imposição das mãos de seus predecessores. Escolheram sacerdotes em todas as igrejas e isso continuou ininterruptamente até nossos dias.
Com relação a isso, o apóstolo Paulo escreve: “e guardando o que me ouviste da minha boca diante de muitas testemunhas, entrega-o a homens fiéis que sejam capazes de instruir também a outros” (2Tim. 2).
Na nossa Igreja temos três níveis no sacerdócio claramente apresentados no Santo Evangelho:
1 - Bispos: significando administrador, o pastor espiritual geral. Relaciona-se com os líderes maior e menor autoridade e relações administrativa. Consiste de três categorias: Patriarca, Metropolita e Bispo.
2 - Sacerdotes: (At. 14:23 & Tt. 15) o monge-padre (Raban) e o arcipreste (Khuri), formalmente ordenados como assistentes do bispo no interior dos países. Atualmente são os sacerdotes chefes de determinada igreja ou arquidiocese. Segue a ordem dos sacerdotes que em geral celebram os santos sacramentos e todos os serviços espirituais exceto os de exclusividade poder dos bispos, tal como, ordenações de sacerdotes e diáconos, e, indicação de pessoal na arquidiocese.É bom notar que:

 

Primeiro estes três níveis existem no sacerdócio do Velho Testamento, ou sejam sumos-sacerdotes, sacerdotes e levitas.

Segundo: estes três níveis simbolizam os três níveis de anjos mencionados por São Clemente de Alexandria: “a ordem dos bispos, padres e diáconos simbolizam a gloria dos anjos”.

Terceiro: Abaixo de cada uma das três categorias existem três outras formando o total das nove categorias celestiais.

3 - O Diaconato ou servir a Deus (At. 6:6 & 1Tim. 3: 8-10): tem suas categorias: o evangelista, o sub-diácono, também chamado de diácono das epístolas, o leitor e o cantor. O arquidiácono é o líder dos diáconos na arquidiocese.

O único ministro da sacramento do sacerdócio é o bispo que tem o direito de impor as mãos sobre o candidato a ser ordenado (At. 6:6; 13: 2-3). A parte visível do sacramento do sacerdócio é a imposição das mãos do bispo sobre a cabeça do candidato e a oração específica em que o bispo pede a graça divina para descer sobre ele (candidato) pelo poder do Espírito Santo. Esta parte invisível é a graça concedida por Deus ao ordenado, juntamente com a autoridade de ligar ou desatar, ensinar, organizar, absolver e consagrar.

Os frutos do sacramento do sacerdócio são: preservação das categorias sacerdotais na Igreja, comprometendo-se com a ordem, trabalho de acordo com as obrigações e privilégios dos pastores e do rebanho, distribuindo bênçãos divinas aos crentes, ministrando os sete sacramentos de acordo com o seu nível hierárquico, ensinando a verdade da nobre fé cristã, e adornando-se com virtude sendo exemplo de fé, falando do trabalho, para que o nome do Pai Celeste seja glorificado, honrando as categorias sacerdotais, amando seu rebanho e trabalhando para a salvação das almas, “Porque todo o pontífice assunto de entre os homens, é constituído a favor dos homens naquelas coisas que se referem a Deus, para que ofereça dons e sacrifício pelos pecados. O qual se possa condoer daqueles que ignoram e erram: porquanto ele também está cercado de enfermidade. E por esta causa deve, tanto pelo povo, como também até por si mesmo, oferecer sacrifício pelos pecados” (Heb. 5: 1-3). Por isso os sacerdotes e bispos devem cuidar da salvação das almas dos fiéis, “portanto, vigiai por vós mesmos e por todo o rebanho que o Espírito Santo vos constitui como guardiões para pastorear a Igreja de Deus que Ele comprou com Seu próprio sangue”.

“Os homens devem-nos considerar como ministros de Cristo: e como despenseiros dos mistérios de Deus” (1Cor. 4:1). Ainda com relação a isto São Paulo escreve: “Ora nós vos suplicamos, irmãos, que tenhais consideração com aqueles que trabalham entre vós, e que vos governam no Senhor, e que vos admoestam… (1Tes. 5:12); lembrai-vos dos vossos prelados, que vos falaram a palavra de Deus: cuja fé haveis de imitar considerando qual haja sido o fim da sua conversação” (Heb. 13:7). Cristo, Nosso Senhor, disse aos seus discípulos: “O que a vós vos recebe, a mim me recebe…” (Mt. 10:40) e “o que a vós ouve, a mim ouve; e o que a vós despreza a mim despreza” (Lc. 10:16), por isso para honrar Jesus, Nosso Senhor, honramos seus despenseiros. Por ocasião da Quaresma, pedimos ao senhor aceitar seu jejum, suas orações e suas obras caritativas, tornando-vos dignos de celebrar Sua ressurreição com alegria, felicidade, boa saúde pela intercessão da Virgem Maria, Mãe de Deus, São Pedro, o líder dos apóstolos e os mártires e santos.

Editado em nossa casa patriarcal em Damasco - Síria

No sétimo dia de fevereiro do ano de dos mil e nove do Nosso Senhor, o 29º. Ano da nossa entronização patriarcal.

criado por Diác. Celso Kallarrari    15:06:35 — Arquivado em: a voz Patriarcal

19/2/09

Bento XVI às Igrejas Ortodoxas Orientais

Num mundo ferido pelas divisões e conflitos é urgente trabalhar pela unidade dos cristãos: Bento XVI ás Igrejas Orientais Ortodoxas

30/01/2009


O Santo Padre recebeu também em audiência os participantes na reunião da comissão mista internacional para o diálogo teológico entre a igreja católica e as igrejas orientais ortodoxas, um grupo de sete Igrejas locais que se separaram da Igreja em 451 não aceitando algumas formulações do Concilio de Calcedónia.

A unidade dos cristãos é ainda mais urgente hoje num mundo marcado por divisões e conflitos: salientou Bento XVI no seu discurso onde reafirmou a necessidade de serem lançadas sementes de esperança no Médio Oriente..

O mundo precisa de um sinal visível da unidade disse o Papa que louvou o empenho das Igrejas orientais ortodoxas a favor do dialogo com a Igreja católica. Um dialogo necessário para superar as divisões do passado e para reforçar a unidade testemunhada pelos cristãos perante os enormes desafios que hoje, os crentes devem enfrentar.

E reafirmou que é um dever dos fiéis trabalhar para a manifestação da dimensão de comunhão da Igreja.

“Basta pensar no Médio Oriente do qual muitos de vós provêm, para ver que temos necessidade urgente de sementes autenticas de esperança num mundo ferido pela tragedia das divisões, dos conflitos e do sofrimento humano imenso.

A semana de oração pela unidade dos cristãos – prosseguiu depois Bento XVI – concluiu-se nos dias passados com uma cerimonia na Basílica dedicada ao grande Apostolo Paulo. Precisamente Paulo foi o primeiro defensor e teólogo da unidade da Igreja. Os seus esforços, o seu empenho, eram inspirados por uma duradoira aspiração a manter uma visível e real comunhão entre os discípulos do Senhor.

 

 

 

 

 

 

criado por Diác. Celso Kallarrari    20:34:17 — Arquivado em: ecumenismo

17/2/09

Pe. Cristiano recebe cruz peitoral das mãos de Dom Faustino

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Na celebração do quinquagésimo aniversário da chegada do arcebispo Crisóstomo Moussa Matanos Salama ao Brasil (+1996), dia 25 de janeiro de 2009, na Paróquia de Nossa Senhora da Assunção e São Miguel Arcanjo, Setor Garavelo, Aparecida de Goiânia, o Pe. Cristiano Lopes da Silva, recebeu a cruz peitoral das mãos de nosso bispo diocesano Dom José Faustino Filho. Conforme a tradição da Igreja Sirian Ortodoxa de Antioquia, ela só é “dispensável” àquele que realmente tem se destacado no trabalho da Igreja. Certamente, o Bispo Diocesano Dom José Faustino Filho, em sua sapiência de pai bondoso e amoroso, depois de ouvido Dom Leolino Gomes Neto (Arcebispo do Distrito Federal e Presidente da Igreja Missionária no Brasil) soube dispensar a cruz a quem, de fato, tem “dispensado” grande parte do seu tempo ao trabalho da Missão Ortodoxa Siriana no Brasil. Que o Pe. Cristiano esteja sob as orações intercessórias de Dom Moussa Salama, missionário fundador da Missão Ortodoxa no Brasil, conforme Bula Patriarcal n. 128/83.

Felicitações!!!

SOBRE A CRUZ PEITORAL NA IGREJA SIRIAN ORTODOXA DE ANTIOQUIA:

“A cruz peitoral é usado pelos bispos e alguns sacerdotes da Igreja. Deve ser portada presa ao peito por um cordão ou corrente e é um símbolo de cargo de responsabilidade pública, significando o amor e devoção do portador pela Cruz de Cristo.

A Cruz Peitoral é outorgada por SS. o Patriarca da Cátedra de Antioquia ou pelo Bispo Diocesano sempre com autorização do Sumo Pontífice. (…)

O povo e o clero local assim como o Santo Sínodo tem o direito de apoiar ou recusar tal escolha desde que justificada. No entanto, normalmente a escolha Patriarcal coincide com a vontade popular e a do Santo Sínodo.

O sacerdote, por sua vez, apontado para usar a Cruz Peitoral deve distinguir-se pelo trabalho comunitário, desenvolvimento espiritual pessoal e buscar aprofundar seus conhecimentos religiosos; deve ser uma referência para os demais irmãos do clero e deve ter uma vida exemplar.

O portador da Cruz Peitoral tem o direito de presidir as cerimônias religiosas quando portando sempre sua Cruz Peitoral.

Nas cerimônias civis deve ser respeitado e seu cargo hierárquico pode ser comparado no Ocidente ao do Monsenhor, ou uma prelazia em formação, consequentemente sem jurisdição ainda definida.

Essencialmente a Cruz Peitoral pode ou não vir acompanhada de uma carta de representação patriarcal. A tradição da Igreja determina que o portador da Cruz Peitoral é o representante patriarcal nos assuntos religiosos na localidade, já nos assuntos legais civis locais precisa da carta de anuência patriarcal.

O bispo diocesano, por sua vez, com anuência do patriarca, pode distinguir um ou mais padres sob sua orientação para portarem a Cruz Peitoral, por exemplo no caso do Maior num Mosteiro ou Convento (Abade ou Abadessa), o diretor de um seminário ou escola, etc., mas é preciso que exista uma razão específica para tanto.

A Cruz Peitoral como se vê aumenta a responsabilidade do sacerdote tanto para com a sua comunidade como para com a Igreja em geral.

Reza a tradição da Igreja Sirian Ortodoxa que quando um sacerdote recebe a Cruz Peitoral, é convidado pelas famílias da coletividade local para abençõar seus lares com sua nova cruz.” (In. www.sirianort-santamaria.org.br).

Por Celso Kallarrari

criado por Diác. Celso Kallarrari    13:03:51 — Arquivado em: noticias, simbologia
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