Fé Ortodoxa - Una, Santa, Católica e Apostólica

[Igreja Sírian Ortodoxa de Antioquia Missionária do Brasil] Diocese dos estados de Goiás e Tocantins.

21/11/09

 

Convite para sagração presbiteral

 

 

“É preciso que o presbítero seja irrepreensível, marido de uma só mulher e tenha filhos crentes que não sejam acusados de libertinagem ou de insubmissão” (Tito 1, 6).

 

 

Prezado (a),

 

Os membros da Paróquia Ortodoxa de São Lázaro e Santa Luzia convidam Vossa Senhoria e sua Exmª família para a solenidade de sagração presbiteral do diácono Selcio de Souza Silva, às 19:00h do dia 29 de novembro de 2009, na Igreja supracitada, na rua Dona Maria Galvão Pinheiro, qd 25, lt 1, Residencial Village Garavelo I, em Aparecida de Goiânia – GO.

 

Att,

Dom José Faustino Filho

Bispo diocesano

Pe Cristiano Lopes da Silva

Pároco

 

 

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29/10/09

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5/9/09

Paróquia São Miguel Arcanjo

Convidamos toda comunidade do setor Garavelo e setores adjacentes para participar da festa em honra e louvor à VIRGEM MÃE DE DEUS DO CAMINHO e SÃO MIGUEL ARCANJO.

De 25 a 27 de setembro de 2009.

Dia 25, sexta-feira, às 19:30h.

Dia 26, sábado, às 19:00h.

Dia 27, domingo, às 09:00h – Ordenação

DIACONAL e SACERDOTAL.

Às 10:30h – Batizados.

Às 19:00h – Missa de encerramento.

Venham, participem deste gesto de Paz, Amor e Comunhão com Deus.

Comissão Organizadora, setembro/2009.

 

 

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2/9/09

Celebração Eucarística na Catedral de Homs - Síria

Em maio de 2009, pela primeira vez na história, dois bispos brasileiros (Dom Leolino Gomes Neto e Dom José Faustino Filho) concelebram na Catedral de Homs. A Santa Missa foi concelebrada parte em português e parte em siríaco.

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7/11/08

É necessário uma igreja para ser cristão?

Ezequiel 47, 1-2.2.8-9; Salmo 45; I Coríntios 3, 9-13.16-17; João 2, 13-22

Esta é a casa de Deus!

Este ano, no lugar do XXXII domingo do Tempo Comum, celebra-se a festa da dedicação da igreja-mãe de Roma, a Basílica de São João de Latrão, dedicada em um primeiro momento ao Salvador e depois a São João Batista. Que representa para a liturgia e para a espiritualidade cristã a dedicação de uma igreja e a própria existência da igreja, entendida como lugar de culto? Temos que começar com as palavras do Evangelho: «Mas chega a hora (já estamos nela) em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e em verdade, porque assim quer o Pai que sejam os que o adoram».

Jesus ensina que o templo de Deus é, em primeiro lugar, o coração do homem que acolheu sua palavra. Falando de si e do Pai, diz: «viremos a ele, e faremos morada nele» (João 14, 23). E Paulo escr eve aos cristãos: «Não sabeis que sois santuário de Deus?» (1 Coríntios 3, 16). Portanto, o crente é templo novo de Deus. Mas o lugar da presença de Deus e de Cristo também se encontra «onde estão dois ou três reunidos em meu nome» (Mateus 18, 20). O Concílio Vaticano II chama a família de «igreja doméstica» (Lumen Gentium, 11), ou seja, um pequeno templo de Deus, precisamente porque, graças ao sacramento do matrimônio, é, por excelência, o lugar no qual «dois ou três» estão reunidos em seu nome.

Por que, então, os cristãos dão tanta importância à igreja, se cada um de nós pode adorar o Pai em espírito e verdade em seu próprio coração ou em sua própria casa? Por que é obrigatório ir à igreja todos os domingos? A resposta é que Jesus não nos salva separadamente; veio para formar um povo, uma comunidade de pessoas, em comunhão com Ele e entre si.

O que é a casa para uma família, é a igreja para a família de Deus. Não há família sem uma casa. Um dos filmes do neo-realismo italiano que ainda recordo é «O teto» («Il tetto»), escrito por Cesare Zavattini e dirigido por Vittorio De Sica. Dois jovens, pobres e enamorados, se casam, mas não têm uma casa. Nos arredores de Roma, após a 2ª Guerra Mundial, inventam um sistema para construir uma, lutando contra o tempo e a lei (se a construção não chega até o teto, à noite será demolida). Quando no final terminam o teto, estão certos de que têm uma casa e uma intimidade própria e se abraçam felizes; são uma família.

Vi esta história se repetir em muitos bairros de cidade, em povoados e aldeias, que não tinham uma igreja própria e tiveram de construir-se uma por sua conta. A solidariedade, o entusiasmo, a alegria de trabalhar juntos com o sacerdote para dar à comunidade um lugar de culto e de encontro são histórias que valeriam a pena levar às telas como no filme de De Sica…

Agora, temos que evocar também um fenômeno doloroso: o abandono em massa da participação na igreja e, portanto, na missa dominical. As estatísticas sobre a prática religiosa são para fazer chorar. Isto não quer dizer que quem não vai à igreja necessariamente perdeu a fé; não, o que acontece é que se substitui a religião instituída por Cristo pela chamada religião «a la carte». Nos Estados Unidos dizem «pick and choose», pegue e escolha. Como no supermercado. Deixando a metáfora de lado, cada um forma sua própria idéia de Deus, da oração e fica tranqüilo.

Esquece-se, deste modo, que Deus se revelou em Cristo, que Cristo pregou um Evangelho, que fundou uma ekklesia, ou seja, uma assembléia de chamados, que instituiu os sacramentos, como sinais e transmissores de sua presença e de sua salvação. Ignorar tudo isto para criar a própria imagem de Deus expõe ao subjetivismo mais radical. Neste caso, se verifica o que dizia o filósofo Feuerbach: Deus é reduzido à projeção das próprias necessidades e desejos. Já não é Deus quem cria o homem à sua imagem, mas o homem cria um deus à sua imagem. Mas é um Deus que não salva!

Certamente, uma realidade conformada só por prát icas exteriores não serve de nada; Jesus se opõe a ela em todo o Evangelho. Mas não há oposição entre a religião dos sinais e dos sacramentos e a íntima, pessoal; entre o rito e o espírito. Os grandes gênios religiosos (pensemos em Agostinho, Pascal, Kierkegaard, Manzoni) eram homens de uma interioridade profunda e sumamente pessoal e, ao mesmo tempo, estavam integrados em uma comunidade, iam à sua igreja, eram «praticantes».

Nas Confissões (VIII, 2), Santo Agostinho narra como acontece a conversão do grande orador e filósofo romano Victorino. Ao converter-se à verdade do cristianismo, dizia ao sacerdote Simpliciano: «Agora sou cristão». Simpliciano lhe respondia: «Não creio até ver-te na igreja de Cristo». O outro lhe perguntou: «Então, são as paredes que nos tornam cristãos?». E o tema ficou no ar. Mas um dia Victorino leu no Evangelho a palavra de Cristo: «quem se envergonha de mim e de minhas palavras, desse se envergonhará o Filho do homem». Compreendeu que o respeito humano, o medo do que pudessem dizer seus colegas, o impedia de ir à igreja. Foi visitar Simpliciano e lhe disse: «Vamos à igreja, quero tornar-me cristão». Creio que esta história tem algo a dizer hoje a mais de uma pessoa de cultura.

Fonte: Zenit
[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri

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2/11/08

A morte não me dá medo!

XXXI Domingo

Sabedoria 3, 1-9; Apocalipse 21, 1-5.6-7; Mateus 5, 1-12

A festa de todos os santos e a comemoração dos fiéis defuntos têm algo em comum e por este motivo foram colocadas uma logo após a outra. Inclusive a passagem evangélica é a mesma, a p&aacut e;gina das bem-aventuranças. Ambas as celebrações nos falam do mais além. Se não crêssemos em uma vida depois da morte, não valeria a pena celebrar a festa dos santos e menos ainda visitar o cemitério. A quem visitaríamos ou por que acenderíamos uma vela ou levaríamos uma flor?

Portanto, tudo neste dia nos convida a uma sábia reflexão: "Ensina-nos a contar nossos dias – diz um salmo – e alcançaremos a sabedoria do coração". "Vivemos como as folhas da árvore no outono" (G. Ungaretti). A árvore na primavera volta a florescer, mas com outras folhas; o mundo continuará depois de nós, mas com outros habitantes. As folhas não têm uma segunda vida, apodrecem onde caem. O mesmo acontece a nós? Aqui termina a analogia. Jesus prometeu: "Eu sou a ressurreição e a vida, quem vive e crê em mim, ainda que morra viverá". É o grande desafio da fé, não só dos cristãos, mas também dos judeus e dos muçulmanos, de todos os que crêem em um Deus pessoal.

Quem viu o filme "Doutor Jivago" recordará a famosa canção de Lara, a trilha sonora. Na versão italiana diz: "Não sei qual é, mas há um lugar do qual nunca regressaremos…". A canção mostra o sentido da famosa novela de Psternac, na qual se baseia o filme: dois namorados que se encontram, se buscam, mas a quem o destino (encontramo-nos na tumultuosa época da revolução bolchevique) separa cruelmente, até a cena final, na qual seus caminhos voltam a cruzar-se, mas sem reconhecer-se.

Cada vez que escuto as notas dessa canção, minha fé me leva quase a gritar em meu interior: sim, há um lugar do q ual nunca regressamos e do qual não queremos regressar. Jesus foi prepará-lo para nós, nos abriu a vida com sua ressurreição e nos indicou o caminho para segui-lo com a passagem das bem-aventuranças. Um lugar no qual o tempo se deterá para dar passagem à eternidade; onde o amor será pleno e total. Não só o amor de Deus e por Deus, mas também todo amor honesto e santo vivido na terra.

A fé não exime os crentes da angústia de ter de morrer, mas a alivia com a esperança. O prefácio da missa de amanhã diz: "aos que a certeza da morte entristece, a promessa da imortalidade consola". Neste sentido, há um testemunho comovente que também se encontra na Rússia. Em 1972, em uma revista clandestina se publicou uma oração encontrada no bolso da jaqueta do soldado Aleksander Zacepa, composta pouco antes da batalha na q ual perdeu a vida na 2ª Guerra Mundial. Diz assim:

Escuta, ó Deus! Em minha vida não falei nem uma só vez contigo, mas hoje tenho vontade de fazer festa. Desde pequeno me disseram sempre que Tu não existes… E eu, como um idiota, acreditei.

Nunca contemplei tuas obras, mas esta noite vi desde a cratera de uma granada o céu cheio de estrelas e fiquei fascinado por seu resplendor. Nesse instante compreendi que terrível é o engano… Não sei, ó Deus, se me darás tua mão, mas te digo que Tu me entendes…

Não é algo estranho que em meio a um espantoso inferno a luz tenha me aparecido e eu tenha descoberto a ti?

Não tenho nada mais para dizer. Sinto-me feliz, pois te conheci. À meia-noite temos de atacar, mas não tenho medo, Tu nos vês. Deram o sinal! Tenho que ir. Que bem estava contigo! Quero te dizer, e Tu o sabes, que a batalha será dura: talvez esta noite vá bater à tua porta. E se até agora não fui teu amigo, quando eu chegar, Tu me deixarás entrar?

Mas, o que acontece comigo? Estou chorando? Meu Deus, olha o que me aconteceu. Só agora comecei a ver com clareza… Meu Deus, vou-me… será difícil regressar. Que estranho, agora a morte não me dá medo.

[Tradução: Élison Santos. Revisão: Aline Banchieri]

Fonte: Zenit

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10/10/08

O importante e o urgente

28º Domingo do Tempo Comum
Isaías 25, 6-10a; Filipenses 4, 12-14.19-20; Mateus 22, 1-14

É instrutivo observar quais são os motivos pelos quais os convidados da parábola se negaram a ir ao banquete. Mateus diz que eles «não se importaram» pelo convite e «foram embora, um ao seu campo, outro ao seu negócio». O evangelho de Lucas, neste ponto, é mais detalhado e apresenta assim os motivos da rejeição: «Comprei um terreno e preciso vê-lo… Comprei cinco juntas de bois e vou experimentá-las… Casei-me, e por essa razão não posso ir» (Lc 14, 18-20).

O que têm em comum estes diversos personagens? Todos os três tinham algourgente para fazer, algo que não pode esperar, que exige imediatamente sua presença. E o que representa, no entanto, o banquete nupcial? Este indica os bens messiânicos, a participação na salvação alcançada por Cristo e, portanto, a possibilidade de viver eternamente. O banquete representa, portanto, o mais importante na vida, e mais ainda, o único importante. Está claro, então, em que consiste o erro cometido pel os convidados: consiste em abandonar o importante por causa do urgente, trocar o essencial pelo contingente! Pois bem, este é um risco tão difundido e insidioso, não somente no campo religioso, mas também no puramente humano, que vale a pena refletir um pouco sobre ele.

Antes de tudo, precisamente, no campo religioso. Abandonar o importante por causa do urgente, no âmbito espiritual, significa atrasar continuamente o cumprimento dos deveres religiosos, porque cada vez se apresenta algo urgente para ser feito. É domingo e é hora de ir à missa, mas é preciso fazer esta visita, este trabalhinho no jardim, o almoço da família… A Missa pode esperar, o almoço não; portanto, a pessoa se atrasa para a Missa e se apressa pra cozinhar.

Eu disse que o perigo de abandonar o importante por causa do urgente está presente também no âmbito humano, na vida de todos os dias, e eu gostaria de destacar isso também. Para um homem, é certamente importantíssimo dedicar tempo à família, a estar com os filhos, dialogar com eles se forem grandes e brincar com eles se forem pequenos. Mas no último momento se apresentam sempre coisas urgentes a serem terminadas no escritório, horas extras, e se deixa para outra vez, acabando por chegar a casa muito tarde e muito cansado para pensar em outra coisa.

Para um homem ou uma mulher, é importantíssimo ir de vez em quando visitar o pai idoso que mora sozinho em casa ou em algum asilo. Pra qualquer um, é algo importantíssimo visitar um conhecido doente para mostrar-lhe seu apoio e fazer algum serviço prático por ele. Mas não é urgente; se você deixar para mais tarde, aparentemente o mundo não vai acabar, talvez ninguém perceba. E assim vamos adiando as coisas.

Acontece a mesma coisa com a própria saúde, que também está entre as coisas importantes. O médico, ou simplesmente o personal trainer, adverte que é preciso se cuidar, tirar um período de férias, evitar o estresse… Respondemos «sim», dizemos que faremos isso com certeza, assim que terminarmos o trabalho, arrumarmos a casa, depois de pagar todas as dívidas… Até que a pessoa percebe que é tarde demais. Aí está o engano: a pessoa passa a vida inteira perseguindo mil pequenas coisas para arrumar e nunca acha tempo para as coisas que verdadeiramente incidem nas relações humanas e podem dar verdadeira alegria (e, abandonadas, verdadeira tristeza) na vida. Assim, vemos como o Evangelho, indiretamente, é também escola de vida: ensina-nos a estabelecer prioridades, a tender ao essencial. Em resumo, a não perder o importante por causa do urgente, como aconteceu c om os convidados da nossa parábola.

Por Raniero Catalamessa

Por Raniero Catalamessa

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13/9/08

A exaltação da Santa Cruz

Números 21, 4-9; Filipenses 2, 6-11; João 3, 13-17

Como Moisés levantou uma serpente no deserto…

Atualmente a cruz já não se apresenta aos fiéis em seu aspecto de sofrimento, de dura necessidade da vida ou inclusive como um caminho para seguir a C risto, mas em seu aspecto glorioso, como motivo de honra, não de pranto. Antes de tudo, digamos algo sobre a origem desta festa. Ela recorda dois acontecimentos distantes no tempo. O primeiro é a inauguração, por parte do imperador Constantino, de duas basílicas, uma no Gólgota, outra no sepulcro de Cristo, no ano 325. O outro acontecimento, no século VII, é a vitória cristã contra os persas, que levou à recuperação das relíquias da cruz e sua devolução triunfal a Jerusalém. Contudo, com o passar do tempo, a festa adquiriu um significado autônomo. Converteu-se em uma celebração gloriosa do mistério da cruz, que, sendo instrumento de ignomínia e de suplício, Cristo transformou em instrumento de salvação.

As leituras refletem esta perspectiva. A segunda leitura volta a propor o célebre hino da Carta a os Filipenses, onde se contempla a cruz como o motivo da maior «exaltação» de Cristo: «aniquilou-se a si mesmo, assumindo a condição de escravo e assemelhando-se aos homens. E, sendo exteriormente reconhecido como homem, humilhou-se ainda mais, tornando-se obediente até a morte, e morte de cruz. Por isso Deus o exaltou soberanamente e lhe outorgou o nome que está acima de todos os nomes, para que ao nome de Jesus se dobre todo joelho no céu, na terra e nos infernos. E toda língua confesse, para a glória de Deus Pai, que Jesus Cristo é Senhor». Também o Evangelho fala da cruz como do momento no qual «o Filho do homem foi levantado para que todo o que creia tenha por Ele vida eterna».

Houve, na história, dois modos fundamentais de representar a cruz e o crucifixo. Os chamamos, por comodidade, de o modo antigo e o moderno. O modo ant igo, que se pode admirar nos mosaicos das antigas basílicas e nos crucifixos da arte romântica, é glorioso, festivo, cheio de majestade. A cruz, frequentemente sozinha, sem crucifixo, aparece projetada em um céu estrelado, e sob ela a inscrição: «Salvação do mundo, salus mundi», como em um célebre mosaico de Ravena.

Nos crucifixos de madeira da arte românica, este tipo de representação se expressa no Cristo que reina com vestes reais e sacerdotais a partir da cruz, com os olhos abertos, o olhar para a frente, sem sombra de sofrimento, mas radiante de majestade e vitória, já não coroado de espinhos, mas de pedras preciosas. É a tradução do versículo do salmo: «Deus reinou do madeiro» (regnavit a ligno Deus). Jesus falava de sua cruz nestes mesmos termos: como o momento de sua «exaltação»: «E quando eu for levantado da terra, atrairei todos para mim» (Jo 12, 32).

A forma moderna começa com a arte gótica e se acentua cada vez mais, até converter-se no modo ordinário de representar o crucifixo. Um exemplo é a crucifixão de Matthias Grunewald no altar de Isenheim. As mãos de os pés se retorcem como arbustos ao redor dos cravos, a cabeça agoniza sob um feixe de espinhos, o corpo coberto de chagas. Igualmente, os crucifixos de Velázquez e de Dali e de muitos outros pertencem a este tipo.

Os dois modos evidenciam um aspecto verdadeiro do mistério. A forma moderna-dramática, realista, pungente – representa a cruz vista, por assim dizer, por diante, «de cara», em sua crua realidade, no momento em que se morre nela. A cruz como símbolo do mal, do sofrimento do mundo e da tremenda realidade da morte. A cruz se representa aqui «em suas causas», isto é, naquilo que, habitualmente, a ocasiona: o ódio, a maldade, a injustiça, o pecado.

O mundo antigo evidenciava não as causas, mas os efeitos da cruz; não aquilo que produz a cruz, mas o que é produzido pela cruz: reconciliação, paz, glória, segurança, vida eterna. A cruz que Paulo define como «glória» ou «honra» do crente. A festividade de 14 de setembro chama-se «exaltação» da cruz porque celebra precisamente este aspecto «exaltante» da cruz.

Deve-se unir à forma moderna de considerar a cruz, a antiga: redescobrir a cruz gloriosa. Se no momento em que se experimentava a provação, podia ser útil pensar em Jesus cravado na cruz entre dores e espasmos, porque isto fazia que o sentíssemos próximo a nossa dor, agora há que pensar na cruz de outro modo. Explico com um exemplo. Perdemos recentemente uma pessoa querida, talvez depois de meses de grande sofrimento. Pois bem: não há que continuar pensando nela como estava em seu leito, em tal circunstância, em tal outra, a que ponto se havia reduzido no final, o que fazia, o que dizia, talvez torturando a mente e o coração, alimentando inúteis sentimentos de culpa. Tudo isto terminou, já não existe, é irreal; atuando assim não fazemos mais que prolongar o sofrimento e conservá-la artificialmente com vida.

Há mães (não digo para julgá-las, mas para ajudá-las) que depois de terem acompanhado durante anos um filho em seu calvário, quando o Senhor o chama para Si, rechaçam viver de outra forma. Em casa, tudo deve permanecer como estava no momento da morte do filho; tudo deve falar dele; visitas contínuas ao cemitério. Se há outras crianças na família, devem adaptar-se a viver também neste clima permeado de morte, com grave dano psicológico. Estas pessoas são as que mais necessitam descobrir o sentido da festa de 14 de setembro: a exaltação da cruz. Já não és tu que leva a cruz, mas a cruz que te leva; a cruz que não te arrebata, mas que te ergue.

por Frei Raniero Catalamessa

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7/9/08

V Encontro dos chefes das Igrejas Orientais

MOSTEIRO DE SANTO EFREM - MA´ARRAT SEDNAYA
DAMASCO - SÍRIA
7 A 9 DE MARÇO DE 2002

DECLARAÇÃO GERAL

Em nome do Pai, do Filho e Do Espírito Santo, Amém.
Nós, Papa Xnuda III, Papa de Alexandria e Patriarca da Cátedra de São Marcos Apóstolo da Igreja Copta Ortodoxa, Egito; Patriarca Mar Ignatius Zakkai I, Patriarca Sirian Ortodoxo de Antioquia e de todo o Oriente; Católicos Aram I, Católicos da Grande Casa de Cilícia da Igreja Armênia Ortodoxa; e os membros do Comitê Permanente: S. Emcia Metropolita Bishoy, S. Emcia Bispo Moussa, S. Emcia Metropolita Gregorios Youhanon Ibrahim, S. Emcia Metropolita Teófilos George Saliba, S. Emcia Bispo Sebouh Sarkissian e o Arquimandrita Nary Alemezian, presentes conosco, damos graças a Deus por nos reunir novamente neste V (quinto) Encontro dos Chefes das Igrejas Ortodoxas Orientais do Oriente Médio no período de 7 a 9 de março de 2002 neste Mosteiro de Santo Efrem da Igreja Sirian Ortodoxa aqui em Ma´arrat Sednaya, Damasco, Síria.
Desde os primórdios do Cristianismo nossas três Igrejas partilharam a mesma herança apostólica e a mesma fé.
Nas nossas Declarações Gerais dos nossos quatro encontros anteriores ocorridos no Mosteiro São Bishoy em Wadi Natrun, Egito de 10 a 11 de maio de 1998; neste Mosteiro de Santo Efrem de 13 a 14 de fevereiro de 1999; no Catolicato Armênio de Cilícia em Antelias no Líbano de 4 a 9 de maio de 2000 e no Mosteiro de São Marcos no Cairo, Egito de 15 a 17 de março de 2001, nós estreitamos nossos fortes laços de união da nossa herança espiritual e expressamos nossa unidade na fé com base nos três Concílios Ecumênicos de Nicéia (325AD), Constantinopla (381AD) e Èfeso (431AD), como também, através dos ensinamentos dos Santos Padres. Confirmamos também, a rejeição dos nossos Santos Padres a todos os tipos de heresias no curso das nossas respectivas histórias. Reportamo-nos às deliberações tomadas por nossas Igrejas no contexto do nosso testemunho geral e no serviço dos nossos fiéis no mundo e em particular no Oriente Médio onde o testemunho cristão tem sido fervorosamente legado por nossos padres desde a era apostólica. Devemos preservar o que herdamos dos nossos pais, santos e mártires como um tesouro sagrado a ser usufruído por todas as gerações.
Estudamos os itens de interesse geral surgido desde o nosso último encontro. Recebemos um relatório do Comitê Permanente e assim deliberamos:
I - Relações entre as Igrejas e os Diálogos bilaterais:
A - Igrejas Ortodoxas Orientais e Igrejas Ortodoxas Ocidentais:
1- Baseados na proposta da Junta de Comissão do Diálogo Teológico entre as duas famílias ortodoxas, nós encorajamos as publicações nos idiomas locais dos estudos atinentes aos acordos Cristológicos subscritos pelas duas famílias em 1989 no Egito, em 1990 e 1993 na Suíça. Cremos que tais publicações ajudarão significativamente os fiéis a entender melhor os resultados e conclusões deste diálogo objetivando a restauração da comunhão plena entre as duas famílias.
2- Recebemos com alegria o início da colaboração ecumênica da Igreja Russa Ortodoxa. O Comitê Coordenador reuniu-se no período de 19 a 21 de março de 2001 e a Junta da Comissão para as relações entre a Igreja Russa Ortodoxa e as Igrejas Ortodoxas Orientais no Oriente Médio reuniram-se de três a cinco de setembro de 2001 em Moscou na Rússia. O objetivo destas reuniões era ampliar a colaboração com a Igreja da Rússia e elucidar as dificuldades existentes no que tange ao acolhimento do acordo das declarações Cristológicas firmadas pelas duas famílias ortodoxas.
3- O Patriarca Mar Ignatius Zakkai I e o Católicos Aram I recebem com alegria a visita do Papa Xnuda III a SS Bartolomeu, Patriarca Ecumênico de Constantinopla (Istambul - Turquia) de 13 a 16 de setembro de 2001. Este encontro proporcionou a discussão dos itens relacionados às relações interortodoxas e a participação das nossas Igrejas no movimento ecumênico. Os dois chefes das Igrejas também discutiram os meios de avançar no diálogo teológico entre as duas famílias ortodoxas, e, neste contexto, pediram a S. Emcia o Metropolita Bishoy a continuar os contatos com as igrejas ortodoxas como co-presidente da Comissão Teológica.
B - Diálogo Teológico oficial entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e as Confraternidade Anglicana.
Recebemos o relatório da reunião do Comitê Preparatório para o Diálogo entre a família das Igrejas Ortodoxas Orientais e a Confraternidade Mundial Anglicana em Midhurst, Inglaterra, ocorrida entre 17 de julho e 1o. de agosto de 2001. Este relatório inclui a agenda, filiações e procedimentos do plano de trabalho. Seis representantes das Igrejas Ortodoxas Orientais participaram desta reunião. O objetivo da mesma foi a organização do diálogo a partir de um "fórum" até o comissionamento em resposta á solicitação da Confraternidade Anglicana e para se estabelecer a agenda e metodologia do trabalho futuro desta comissão. Participamos nos trabalhos do Comitê Preparatório com três delegados representando cada uma das nossas três Igrejas e continuaremos nossa participação ativa neste diálogo teológico.
C - Diálogo Teológico oficial entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja Católica Romana.
Recebemos o convite do Vaticano para iniciar um diálogo teológico oficial com a Igreja Católica Romana. Católicos Aram I e S. Emcia o Cardeal Walker Kasper discutiram este projeto enfatizando a importância do diálogo teológico bilateral entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Igreja Católica Romana. Na seqüência das discussões a iniciativa foi analisada por S. Emcia o Metropolita Bishoy e S. Emcia o Cardeal Kasper, este último propôs a reunião do Comitê Preparatório no próximo outono no Vaticano. Um convite será enviado pelo Vaticano aos Chefes das Igrejas Ortodoxas Orientais. Com base nas respostas, o diálogo teológico formal será iniciado com a Igreja Católica Romana.
D - Diálogo Teológico oficial entre as Igrejas Ortodoxas Orientais e a Aliança Mundial das Igrejas Reformadas (WARC).
O relatório completo da primeira fase deste diálogo já foi enviado aos nossos Santos Sínodos e ao Comitê Executivo da Aliança Mundial das Igrejas Reformadas (WARC) para estudo, discussão e ação.
Consideramos os diálogos teológicos de importância decisiva na união visível da Igreja. Papa Xnuda III e o Patriarca Zakkai I expressaram seu grande apreço ao Católicos Aram I que estava acompanhando as iniciativas e o progresso nesta importante área do nosso testemunho ecumênico.

criado por Diác. Celso Kallarrari    01:39:30 — Arquivado em: Sem categoria
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